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A) Breve introdução.
A partir do séc.V a. C. a cidade-estado de Atenas transforma-se numa grande cidade mercantil. Instaura-se e consolida-se a democracia; o poder torna-se público. A ordem humana submete--se à crítica, apresenta-se à discussão do público, tem na opinião pública o seu suporte privilegiado de legitimação. Os cidadãos elegem os governantes. A democracia, enquanto regime fundado na opinião pública, na liberdade da crítica e no exercício do poder através do confronto aberto de opiniões, tem na Grécia o seu local de implantação, o primeiro laboratório humano em que a experiência foi tentada.
Os pressupostos deste regime fundado na opinião da maioria são:
- publicidade do poder;
- a palavra[1] como instrumento privilegiado da acção política.
B) Os sofistas e a arte da controvérsia.
A intenção pedagógica.
A democratização da cidade-estado implicou profundas transformações na educação. Assim, a educação tradicional era simples e rudimentar (ler, escrever, exercício físico, educação musical), culminando na leitura e declamação dos poetas e no treino militar. Não servia a nova situação democrática. Com a nova educação surgem novas disciplinas: a gramática, a retórica e a dialéctica. Têm o objectivo de formar os cidadãos, isto é, prepará-los a fim de que possam participar activamente na vida pública.
É neste contexto que surgem os sofistas, classe de educadores que publicamente oferecem, por dinheiro, o ensino da "virtude" (areté)[2]. A eles ocorriam os que desejavam formar-se para a política ou, um dia, tornar-se condutores do Estado.
Os sofistas foram os primeiros a elaborar um novo conceito de cultura (Paideia) que consiste na formação do homem concreto, o cidadão.
Num meio em que a palavra era o instrumento privilegiado de acção política, os sofistas propunham-se ensinar duas coisas indispensáveis aos competidores na luta política:
1- a técnica de persuadir um auditório, de o convencer de qualquer tese, superiorizando-se ao adversário ("Sendo o seu objectivo armar o aluno para todos os conflitos de pensamento ou de acção que a vida social pode propiciar, o seu método consiste essencialmente na antilogia (controvérsia), ou seja, a oposição de teses possíveis relativamente a certos temas; trata-se de ensinar a criticar e a discutir, a organizar um torneio de razões contra razões. O método antilógico é, para os sofistas, um método para ensinar a inventar mecanicamente, sobre qualquer questão, as ideias que irão alimentar o discurso falado ou escrito, e o móbil principal desse método é a oposição de juízos." L. Robin);
2- um saber enciclopédico, um conjunto de conhecimentos gerais susceptível de ser aproveitado numa discussão para ilustrar ou reforçar a posição que está a ser defendida.
C) O relativismo.
Os sofistas fazem a experiência de como a linguagem entendida enquanto convenção humana se constitui como o terreno do relativo, do instável, do variável, da impossibilidade de consenso universal sobre o que quer que seja. A sua tese fundamental é justamente a de uma impossibilidade do universal. O relativo é uma dimensão própria do humano. Daí a frase: "Não há verdade absoluta e universal, mas uma diversidade de opiniões". Assim, se não há verdade absoluta (no sentido em que todos concordam), então "nada é verdadeiro" ou também "tudo é verdadeiro"; neste sentido, tudo é defensável.
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