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Pluralidade de sentidos (polissemia) da obra de arte.
O discurso comum, aquele em que nos exprimimos todos os dias, pode distinguir-se dos discursos científico e estético.
Discurso comum - «equívoco»
Discurso científico - «unívoco»
Discurso estético - «plurívoco»
O termo «equívoco» sugere a ideia de ambiguidade, de confusão, o carácter dúbio dos conceitos. Um termo equívoco, carece, pois, de clareza e distinção, dado que não tem um sentido definido e preciso. É o caso do uso corrente da linguagem. O contexto ou as circunstâncias concretas em que proferimos uma palavra, ou o tom de voz, por exemplo, são factores que podem gerar uma indeterminação ou equivocações de sentidos. A expressão “está calor”, no discurso comum, pode ter significados diferentes.
Já o discurso científico, pelo contrário, procura eliminar esta ambiguidade do discurso comum. Ao quantificar e mensurar os fenómenos, a ciência consegue uma precisão e exactidão que não encontramos no discurso comum: ao substituir a noção de “calor”, por exemplo, pelo valor numérico da temperatura medida pelo termómetro, o discurso objectivo toma o lugar da vaga consideração subjectiva.
O carácter plurívoco característico da obra de arte, por sua vez, afasta-se, quer da abertura excessiva e descontrolada do discurso comum, quer do carácter fechado, preciso e unívoco do discurso científico.
O termo «plurívoco» conota a ideia de polissemia ou de plurissignificação, mas esta não é descontrolada como no discurso comum. Pelo contrário, é desejada, provocada (criada), gerida e, portanto, entendida como lícita pelo próprio artista.
Esta plurivocidade significa que a obra de arte tem um carácter de abertura, ao contrário do carácter fechado (unívoco) da ciência. Podemos assim caracterizar a obra de arte, enquanto dotada de polissemia, como «obra aberta».
[ A obra aberta é aquela que possibilita uma variedade de interpretações. Como diz Umberto Eco, a obra de arte tem a «possibilidade de ser interpretada de mil modos diferentes sem que a sua irreproduzível singularidade seja por isso alterada. Cada fruição é assim uma interpretação e uma execução, pois que em cada fruição a obra revive numa perspectiva original.» É próprio da obra de arte a possibilidade de ser reinterpretada de múltiplos modos, eventualmente, até imprevistos.]
Foi em virtude deste carácter continuamente aberto da obra de arte que, a propósito do texto literário, o poeta francês Paul Valéry afirmou: «O verdadeiro sentido do texto não existe.» Ou seja, uma vez criada, a obra como que «flutua no vazio de um espaço potencialmente infinito de interpretações». Nenhuma perspectiva/interpretação esgota a vitalidade da obra.
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