Vendredi 26 novembre 5 26 /11 /Nov 14:46

 

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1.

 

Esclarece a seguinte afirmação: O homem age, o animal reage.

 

Os animais têm condutas reactivas: o seu comportamento é desencadeado por estímulos/situações exteriores; é instintivo e involuntário. O ser humano, para além de condutas/comportamentos reactivos (por exemplo, quando se pica com uma agulha), caracteriza-se essencialmente por agir, isto é, por comportamentos intencionais, conscientes, voluntários. O ser humano não age apenas por automatismos, mas propõe-se fins, é determinado a agir por motivos e razões que ele mesmo aprecia e reconhece como seus.

 

Nota complementar

«Agir » ― refere-se ao agir especificamente humano; exemplo da escolha de uma profissão; neste caso, o agente não é só aquele que realiza a acção, mas também aquele que se expressa e que se define na acção; a actividade centra-se no próprio agente; este realiza-se a si próprio mediante os seus actos e as suas decisões. A acção humana (ou acto humano) implica sempre a vontade e a consciência; é o acto/acção que fazemos conscientemente e que envolve uma intenção e uma finalidade; só age humanamente aquele que sabe o que faz e porque o faz.

 

 

2.

«Tudo quanto realizamos é parte da nossa conduta, mas nem tudo o que realizamos constitui uma acção.»

 J. Hospers

a) Justifica a afirmação.

 

As nossas acções são apenas algumas das coisas que fazemos/realizamos. Respirarmos ou reagirmos de um modo reflexo a uma picada não são acções; os actos involuntários e inconscientes, bem como os actos que se realizam por rotina (quase mecanicamente), não constituem acções propriamente ditas. Estas últimas são sempre realizadas voluntária e conscientemente, são livres (no sentido em que poderíamos ter feito outra coisa), são intencionais (têm uma intenção, obedecem a um projecto). Nos actos humanos (acções propriamente ditas) o sujeito age a partir de si próprio, é movido a partir da sua própria interioridade/intimidade e por razões que pode reconhecer como suas.

 

 

b) Distingue «Actos do Homem» de «Actos Humanos».

 

«Actos do Homem» ― todos os actos realizados pelo ser humano, quer sejam voluntários ou não.

 

«Actos Humanos» ― os actos de que o ser humano é plenamente senhor. Implicam a intenção, a vontade, a consciência e a liberdade.

 

 

3.

«Intenção e motivo são noções conexas; o motivo é motivo de uma intenção (…).

(…) a intenção responde à pergunta quê, que fazer? Serve, pois, para identificar, para nomear, para denotar a acção (…); o motivo responde à questão porquê? Tem, portanto, uma função de explicação; (…).»

P. Ricoeur

Considerando o texto, esclarece os conceitos: intenção e motivo.

 

A intenção traduz o que quer fazer o agente da acção. O sujeito age em vista de um fim, fim esse de que tem consciência e que pretende atingir através do seu acto. Portanto, a intenção responde à pergunta sobre o sentido da acção, à pergunta sobre o quê da acção.

O motivo traduz a explicação do acto, o porquê da acção. Esta explicação «consiste em esclarecer, em tornar inteligível, em fazer compreender» (Ricouer). Quando aduzimos um motivo para justificar uma acção, é suposto que agimos desta maneira, mas podíamos ter agido de maneira diferente.

As duas noções são conexas, pois «só falamos de acções intencionais se elas forem determinadas por um motivo ou razão que as justifique: uma acção é realizada intencionalmente quando é realizada por algum motivo».

 

 

4.

Distingue sucintamente “acções involuntárias” de “acções voluntárias”.

 

As acções involuntárias podem ser forçadas (que o sujeito realiza sem que a sua origem esteja em si mesmo; por exemplo, quando uma pessoa é arrastada por uma ventania) ou realizadas por ignorância das circunstâncias da acção (é o caso de um condutor que atropela um peão porque não o viu).

As acções voluntárias têm a sua origem na pessoa que as realiza (o que, em princípio, a torna responsável por elas).

 

 

5.

Que características devem estar presentes nas nossas condutas para que recebam, em sentido próprio, o nome de acções

 

A acção humana é uma totalidade na qual estão ligados diversos elementos: o motivo (aquilo que justifica a acção, a sua razão de ser ou o seu porquê); a intenção (o que o agente quer fazer ao agir); o fim (aquilo que se projecta atingir ou realizar, o objectivo para que a acção se orienta)[1]; a decisão (indica o momento em que se escolhe um caminho e se verifica o compromisso com um determinado propósito ou fim afastando outros; pressupõe a deliberação); os meios (procedimentos/instrumentos/etc. a que o agente recorre para realizar aquilo que projectou fazer); o resultado (aquilo que o agente realizou/conseguiu); as consequências (modo como o resultado da acção do sujeito afecta os outros ou o próprio sujeito).

 

 

6.

«A deliberação tem por único papel, não como frequentemente se julga, operar a escolha, mas esclarecer a situação para permitir a escolha.»

M. Lobrot

Distingue sucintamente «deliberação» de «decisão».

 

A deliberação é o processo de reflexão que antecede uma acção. Examina-se, de uma maneira consciente e reflectida, se se deve ou não realizar um determinado acto[2]. A deliberação tem a função de esclarecer uma situação para permitir a escolha. Uma situação nunca é perfeitamente clara: possui sempre aspectos problemáticos e/ou desconhecidos. Daí a necessidade de reflectir e de ponderar antes da escolha (decisão). [A deliberação é o processo de reflexão que antecede a decisão.]

Decidir significa escolher entre alternativas possíveis. Exige vontade: é preciso querer decidir.

 

 

7.

«A acção remete necessariamente para um agente. Ela é predicada do agente, é a este que se atribui a responsabilidade da acção.»

A Cor das Ideias, pág. 74.

Que significa «ser responsável»?

 

Ser responsável significa ter de responder, de assumir os seus actos. Sou responsável na medida em que afirmo que “fiz isto”e que “tive (ou não) a intenção”. [A ausência de intenção não significa ausência de responsabilidade ou impossibilidade de atribuir responsabilidades; também temos de responder por aquilo que, mesmo que involuntariamente, nos acontece ou em que estamos envolvidos; exemplo do atropelamento involuntário.]

O agente é responsável porque é livre de não fazer o que fez ou de fazer de outro modo.

A ideia de responsabilidade está ligada à de “arcar com as consequências do seu acto”. Por isso se diz que o sujeito X é responsável pelo seu trabalho, pelo que está a seu cargo ou pelas suas obrigações. “Ser responsável é ser censurável ou punível” (Ricoeur) ou ser louvável ou recompensável.

 

 

…/…



[1] Os conceitos de motivo, fim e intenção estão muito próximos.

[2] Só se pode deliberar sobre o possível ou, como diz Aristóteles, sobre o que depende de nós e pode ser efectuado por nós.

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Dimanche 21 novembre 7 21 /11 /Nov 19:15

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«(...) a liberdade é esta vocação particular da espécie humana que lhe abre uma história de prolongamentos imprevisíveis, enquanto as espécies animais parecem recomeçar indefinidamente a execução de um plano vital estabelecido de uma vez para sempre. O homem é o ser entre todos os seres através do qual a liberdade veio ao mundo (...). E cada recém-nascido sobre a terra dos homens repete por seu turno esta chegada da liberdade, este acesso à liberdade.»

Georges Gusdorf

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Dimanche 21 novembre 7 21 /11 /Nov 18:27

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Contrariamente aos animais, sujeitos a um determinismo que os faz comportar-se de acordo com uma programação biológica, o ser humano tem a possibilidade de escolher e de decidir o que quer fazer de si mesmo e está aberto em relação ao futuro. Contudo, a sua liberdade e a sua capacidade criadora estão sujeitas a limitações e a condicionalismos circunstanciais. As suas características biológicas, as condições físicas do seu ambiente e a influência do seu meio sócio-cultural influenciam e condicionam a sua acção.

Condicionantes:

- Hereditárias, físicas e biológicas

- Psicológicas

- Ambientais

- Históricas e culturais

 

Lê atentamente o seguinte texto/apontamento:

 

Limitações da acção apontamento 

 

Os condicionamentos físicos, biológicos , psicológicos, sociais e culturais, longe de serem absolutamente determinantes e constrangentes, são possibilidades oferecidas ao ser humano para que com eles construa a sua vida e lhe dê sentido.

  

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Atenção a este texto de Fernando Savater:

 

«(…) por grande que seja a nossa programação biológica ou cultural, nós, seres humanos, podemos acabar por optar por algo que não está no programa (…). Podemos dizer “sim” ou “não”, quero ou não quero. Por muito apertados que nos vejamos pelas circunstâncias, nunca temos um só caminho a seguir, mas sempre vários. (…) Não somos livres de escolher o que nos acontece (ter nascido certo dia, de certos pais, em tal país, sofrer de um cancro, ser bonitos ou feios, …, etc.), mas somos livres de responder desta maneira ou daquela ao que nos acontece (obedecer ou revoltar-nos, ser prudentes ou temerários, vingativos ou resignados, vestir-nos de acordo com a moda ou disfarçar-nos de ursos das cavernas, etc.»

 

 

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Samedi 20 novembre 6 20 /11 /Nov 17:15

 

 

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Os apontamentos que se seguem devem ser lidos atentamente. Qualquer dúvida, relativa aos conceitos relacionados com a acção humana, deve ser colocada e esclarecida na aula.

 

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Jeudi 18 novembre 4 18 /11 /Nov 18:39

 

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TPC (OBRIGATÓRIO)

 

 

 

LIBERDADE E DETERMINISMO

 

FICHA FORMATIVA  ― FILOSOFIA ― 10º ANO ― TURMA B

                                                                                                        

 

 

 

 1.

 

«Em relação ao Homem a tendência geral é acreditarmos na liberdade, a qual é vulgarmente entendida como o oposto do determinismo.»

A Cor das Ideias, pág. 94.

 

Distingue os conceitos: determinismo e liberdade.

 

 

 

 

2.

 

                                       Os seres humanos iludem-se ao julgar que são livres.

 

Expõe dois/três argumentos que refutem a afirmação.

 

 

 

3.

«A liberdade consiste em escolher dentro do possível e não numa acção sem condicionantes que realizaria integralmente todos os nossos desejos e vontades.»

A Cor das Ideias, pág. 89.

Jstifica a afirmação.

 

 

 

4.

«O homem é um ser com possibilidade de escolher e de decidir o que quer fazer de si mesmo e aberto em relação ao futuro. Contudo, a sua liberdade e a sua capacidade criadora estão sujeitas a limitações e a condicionalismos circunstanciais.»

Filosofia 10

Esclarece o texto.

 

 

 

 

 …/…

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